segunda-feira, 15 de junho de 2009

Êxodo dos jovens penaliza Cultura na Fajã da Ovelha

Apesar da dinâmica variada, os grupos lamentam a saída dos mais novos da freguesia
Não obstante a diversificada actividade cultural desenvolvida pela Casa do Povo da Fajã da Ovelha e por outras instituições, uma coisa é certa: há cada vez menos jovens na freguesia e isso põe em risco a continuidade dos projectos culturais.

"Neste momento, o que sentimos é a saída dos jovens e de pessoas que, no meu ponto de vista, procuram emprego", começou por dizer Horácio Ramos, presidente da Casa do Povo da Fajã da Ovelha. Ainda assim, não baixa os braços e promove iniciativas regularmente: "Durante todo o ano desenvolvemos actividades para as crianças, jovens adultos e idosos. Em Janeiro avançámos com o 'Encontro de Cânticos da Festa' que junta muitas pessoas no salão paroquial da Raposeira, para além do concurso de presépios cuja entrega de prémios decorre também nesse mês".

Para além da participação no Carnaval e na Festa da Flor, a instituição está já a preparar as marchas populares da Fajã da Ovelha que depois irão participar nas Marchas Populares de São João na Ribeira Brava. Lembrou ainda que, este ano, já se realizaram a II Semana Cultural, o II Festival de Música Popular, concurso de karaoke, 'novos talentos', várias conferências, etc. "Promovemos também o ensino da música, onde temos cerca de 40 jovens que vêm de todo o concelho. (...) E onde dois monitores ensinam as práticas de instrumentos como acordeão, rajão e violino e há uma senhora que lecciona piano, violas e bandolim", acrescentou. "Convidamos muitos destes jovens a integrarem os grupos musicais, de actividades cénicas e de dança. Já tivemos um grupo nessa área, mas que está em fase de renovação devido à saída dos elementos. E apostamos nestas actividades numa parceria com a escola", completou.

Em época de crise, há que ser rigoroso, realça o responsável: "As coisas não estão fáceis. E nos tempos actuais é preciso ter criatividade e também contar com pessoas que fazem este trabalho, excepto os formadores, por carolice porque gostam disto. E, se fosse para pagar, não havia dinheiro. Temos tido alguns apoios dos comerciantes", concluiu Horácio Ramos.

'Embaixador centenário'
Liderado por Jaime Andrade, o Grupo de Cordas da Casa do Povo da Fajã da Ovelha "tem sido o grande embaixador da freguesia porque temos actuado nas mais diversas festas populares da Madeira", conforme salienta o responsável pela direcção encabeçada por Horácio Ramos. "E também já nos convidaram para programas televisivos. Para além de termos convites para nos deslocarmos, este ano, ao estrangeiro, mais concretamente à África do Sul e Venezuela, vamos procurar os apoios necessários para concretizar as deslocações, o que não será fácil".
"Tivemos um convite para actuarmos em França, numa cidade dos arredores de Paris, por ocasião do Dia de Portugal, em 2008. E nessa altura muitas foram as pessoas que nos pediram por um CD ['Retratos da Minha Terra'], que foi gravado quando regressámos à Madeira, após termos conseguido os respectivos apoios".
Curiosamente, esta formação com mais de cem anos já teve vários nomes: "E acontece que, a partir de 2006, juntámos pessoas que estavam em vários grupos e avançámos com o colectivo. Temos na formação pessoas de localidades vizinhas que quiseram abraçar este projecto e que dão o seu melhor".
O que dizem artistas
Fátima Inácio, integrante do Grupo de Cordas e também o Coral da Casa do Povo da Fajã da Ovelha: "Quando entrei para o grupo tinha os meus trinta e tais anos. Agora passaram-se 20. E penso continuar nos dois grupos porque a música dá vida e alegria. Mas acho que as pessoas mais novas deviam apoiar e fazer parte porque a música dá vida".
Paulo Ladeira, artista plástico e investigador da Fajã da Ovelha: "Na freguesia não há galerias. E se uma pessoa quiser expor tem de ir ao Centro das Artes - Casa das Mudas ou para o Funchal. Mas a freguesia é um meio pequeno e não sei se justificaria uma galeria (...) A Fábrica da Manteiga, que está praticamente abandonada, poderia servir de espaço museológico e ser um atractivo. (...) Irei lançar em Julho ou Agosto um trabalho de investigação, integrado nos Estudos do Atlântico, com o título 'Talha e a Pintura Rócócó na Madeira'".

Sem comentários: