segunda-feira, 15 de junho de 2009

Associação Recreativa da Raposeira em risco

"A colectividade existe há nove anos e a sua existência tem sido deveras complicada", confessou Eurico Martins, responsável pela Associação Recreativa da Raposeira, na Fajã da Ovelha. "Na medida em que teve, realmente, durante os primeiros três ou quatro anos, muita produtividade porque havia elevada participação dos jovens. Mas também porque as entidades, perante o trabalho que apresentamos, começaram a apoiar-nos, digamos, de uma forma muito aplicada, que corresponderam às nossas expectativas. Só que, a partir de determinada altura, começou a haver um crescimento da emigração dos jovens - que até fiquei admirado! - para Inglaterra e outros países e, por via disso, o nosso trabalho ficou a 'meio gás'. E essa situação tem-se mantido até à actualidade", disse.

"Fala-se dos idosos, mas este é um problema que tem de ser encarado de frente, sobretudo, nas zonas rurais. E nós, como responsáveis das associações culturais, notamos que a situação se vai agravando. Porque é cada vez mais difícil juntar os jovens pela simples razão de que não existem meios de interesse para os fixarem e eles aos emigrarem fazem com que estas áreas rurais fiquem cada vez mais desertificadas", alertou.

Eurico Martins foi mais longe: "Há falta de oportunidades na freguesia, para além da ausência de estímulos para que os jovens se fixem. E isso faz com que saiem porque, se há partida lhes forem dado as condições mínimas, as pessoas não saem e contribuem para o desenvolvimento da freguesia (...) Mas a Associação Recreativa da Raposeira, apesar desse problema e da Câmara Municipal da Calheta nos ter voltado as costas, continuamos a trabalhar e a realizar actuações até mesmo para a própria autarquia. Penso que é uma situação que a breve trecho temos de resolver".

A terminar, deixou um alerta: "E está em risco a continuidade da Associação Recreativa da Raposeira, o que já se arrasta desde 2006, porque não temos tido apoios de ninguém. E o que acho disto é que há da parte das entidades públicas em acabar, pura e simplesmente, com a Cultura. Estou triste porque dei muitas horas da minha vida pela Associação Recreativa da Raposeira. Temos todas as condições físicas para prosseguirmos o nosso trabalho, mas sem estímulos não iremos muito longe. Até porque na Raposeira é impensável cobrarmos um cêntimo às pessoas porque não têm dinheiro. E posso adiantar que, desde 2006, quem paga a renda da sede sou eu".
Fonte: Diário de Notícias

1 comentário:

Anónimo disse...

É uma pena este trabalho do maestro Eurico Martins não ser reconhecido e apoiado...se fosse uma equipa de futebol...lá se arranjava qualquer coisa...mas cultura...isso é outra música..!