quarta-feira, 6 de maio de 2009

Ambientalistas alertam para o risco de degradação do ecossistema

Tanto a Quercus como a Associação dos Amigos do Parque Ecológico consideram que os planos de ordenamento e gestão do Maciço Montanhoso Central e da Laurissilva vão contribuir para o aumento da pressão humana na zona do Rabaçal.

Ambas as associações participaram na discussão pública relativa aos dois planos, a qual termina hoje, com o envio de sugestões, reclamações, observações e pedidos de esclarecimento.

Idalina Perestrelo, da Quercus, sublinha que, além de serem muito idênticos, fica a ideia de que estes planos foram feitos para que se possa avançar com o projecto turístico previsto para a zona do Rabaçal, que será concretizado através da construção de um teleférico que fará a ligação desde o Paul da Serra. "Estes planos são um pouco feitos para uma maior pressão humana dentro dos espaços que são protegidos e esse aumento pode fazer com que depois haja uma ameaça sobre a biodiversidade existente".

Também Raimundo Quintal, em nome da Associação dos Amigos do Parque Ecológico, afirma que o teleférico "não 'constituirá um meio de promoção e valorização destes espaços natural'" como referem os dois documentos. "Pelo contrário, terá um impacto negativo na paisagem, contribuirá para uma degradação do ecossistema e aumentará a delapidação das espécies mais sensíveis".

Referem também os planos que a "existência de um teleférico regula o fluxo de entradas para o próprio teleférico e não para os percursos pedestres existentes". Relativamente a esta questão, Raimundo Quintal sublinha que o estudo de impacte ambiental informa que o teleférico terá capacidade para transportar 180 pessoas por hora desde o Paul da Serra ao Rabaçal. Assim, em apenas três horas, se for cumprida a capacidade máxima prevista, poderão chegar ao Centro de Recepção do Rabaçal 540 visitantes. "Este número ultrapassa a capacidade de carga efectiva do percurso Rabaçal - 25 Fontes, que é de 528 visitantes por dia, segundo cálculo constante na página 128 do 'Plano de Ordenamento e Gestão da Laurissilva da Madeira'", alerta o geógrafo.

O director regional do Ambiente sublinha que é difícil afirmar que haverá uma maior pressão humana, quando, actualmente, não existe qualquer contabilidade em relação ao número de pessoas que visitam o Rabaçal. Nesse sentido, João Correia sublinha que haverá uma entidade gestora responsável pelo controlo das entradas no Parque Florestal do Rabaçal, quer pelo teleférico, quer através das veredas, a qual poderá definir um "determinado limite".

Além da questão do Rabaçal, Raimundo Quintal refere, por exemplo, a retirada do gado bovino como condição necessária para recuperação da biodiversidade na área do Fanal, não sendo a questão do gado bovino mencionada no Plano do Maciço Central Montanhoso.

Por outro lado, Idalina Perestrelo considera que em termos de planos a prioridade devia ser dada ao Plano especial de Ordenamento do Parque Natural da Madeira e ao Plano Sectorial dos Sítios da Rede Natura, os quais deveriam servir de documento orientadores em relação aos restantes.

A falta de estudos e de soluções para os problemas existentes, assim como a inexactidão dos limites da Laurissilva e do Maciço Montanhoso Central são outras falhas apontadas.
Fonte: Diário de Notícias

2 comentários:

Ricardo Brazão disse...

O Alberto João Jardim diz que as pessoas que querem proteger a natureza são ignorantes, analfabetos, reaccionários, vigaristas etc. Isso significa que os populares que votaram para ele são ignorantes, analfabetos, reaccionários, vigaristas etc.
É uma explicação porque que ele esta no poder.
http://www.youtube.com/watch?v=2S-F-Lb9nY4

Anónimo disse...

mexer no que está bem!
e investir tao mal
é a politica que calheta tem
de estragar o Rabaçal

melhore as veredas
e restaure as levadas
sinalizem os locais
e também as estradas

limpe o matas
plante flores
façam da madeira
a ilha dos amores

o que realmente queremos
são investimentos sustentáveis
para alegrar os sumenos
e os turistas retornaveis